Coordenadores de PGGEds de todo o país discutem novos caminhos para avaliação em II Seminário organizado pela ANPEd e FORPREd

reportagem: João Marcos Veiga

A ANPEd e o FORPREd realizaram entre os dias 17 e 19 de setembro o II Seminário "O Sistema de Avaliação da Pós-Graduação Brasileira: desafios para articular expansão e qualidade". O encontro reuniu em Belo Horizonte (MG) coordenadores de programas de pós-graduação em educação de todo Brasil em três dias de atividades, contando com mesas de debate, grupos de trabalho e workshop voltados a programas com notas 3 e 4.

O seminário foi realizado na Faculdade de Educação da UFMG, em Belo Horizonte, que completa 50 anos em 2018. "Isso é muito significativo nesse momento, pois estamos discutindo in locuo a própria pós-graduação, a educação e a realidade dos programas", afirma Maria de Fátima Cardoso (UFMG), vice-coordenadora do FOPREd Nacional - Fórum dos Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação.

No primeiro dia, a mesa "Avaliação da Pós-Graduação: onde estamos e para onde queremos ir?" contou com apresentações de Robert Evan Verhine (represente de área na CAPES), Joviles Vitório Trevisol (presidente do FOPROP), Eduardo (representante da SBPC) e Flávia Calé da Silva (presidente da ANPG). No auditório estavam presentes coordenadores de programas das cinco regiões do país. Emília Peixoto Vieira é coordenadora do PPGEd do Mestrado Profissional da Universidade de Santa Cruz (Ilhéus/BA). Para além de tirar dúvidas sobre processos e critérios de avaliação, para ela o encontro também foi importante para se discutir e compreender questões como inserção social, internacionalização e, principalmente, financiamento. Nesse sentido, a coordenadora cita o fato de a CAPES ter aprovado o mestrado profissional em Educação, mais ainda não disponibilizar uma verba própria, como PROAP disponível ao mestrado acadêmico, levando a dificuldades de implementação, desenvolvimento e crescimento. "Mas para além disso, o que é importante dessa reunião é que a gente também vai trocando ideias com os outros colegas e programas para discutir a perspectiva das nossas produções e responder a essa avaliação externa da CAPES, mas sem perder de vista a qualidade que uma pós-graduação em educação tem que trazer para a sociedade brasileira", diz.

Na segunda mesa, "Métricas de Impacto nos Periódicos e Internacionalização na Área de Educação", o público conferiu a experiência do Chile, a partir de fala da professora Daniela Ximena Véliz Calderón, e problemas e perspectivas para o tema em apresentação de José Luís Bizelli (UNESP), atual coordenador do FEPAE. Pela tarde, o atual Quadriênio de avaliação da CAPES foi tema de mesa com Robert Evan Verhine (UFBA), Angelo Ricardo de Souza (UFPR) e Luiz Sousa Junior (UFPB), com mediação de João Batista Carvalho NUNES (UECE), coordenador do FORPREd Nacional.

Coordenador do PPGEd da UNIFESP, Luiz Carlos Novaes afirmou que as expectativas eram muitas para o seminário, sobretudo de entender a lógica de avaliação da CAPES. "Essa é a grande questão. No processo anterior, no último quadriênio, a gente só soube das regras do jogo depois que o jogo acabou", argumenta. Além de excessiva demanda relativa à produção acadêmica difícil de ser conciliada com uma boa formação aos novos pesquisadores, Novaes afirma que "os programas não têm clareza do que eles precisam efetivamente fazer pra serem bem avaliados. Então a grande expectativa do programa em participar deste evento é conhecer que lógica a CAPES adota pra fazer sua avaliação". Maria de Fátima Cardoso diz que além do aspecto de tirar dúvidas, obter informações, os programas esperam exatamente esta transparência no processo de avaliação da pós-graduação brasileira, nos critérios. "Isso é importante pra gente conhecer inclusive os meandros de como que se faz essa avaliação, por que se faz essa avaliação."

Para Robert Verhine, o evento foi muito importante para colher ideias do que as pessoas que atuam na pós-graduação e na pesquisa querem no sentido de melhor entender como a avaliação vai ser desenvolvida. "Eles querem saber os indicadores que serão utilizados e, evidentemente, querem participar da construção desses indicadores. Então eu acho que a questão agora é, diante do fato de que a CAPES está pensando em algumas mudanças, esperar que tudo isso aconteça com agilidade pra gente e os coordenadores saberem rapidamente como se dará o processo avaliativo. Eu sinto que essa transparência é fundamental e a gente vai buscar atender esse desejo de transparência", afirma o coordenador de área na agência de fomento, que ainda conta que foi apresentada proposta de uma nova ficha para avaliação. 

Na terça (18) pela manhã, os presentes se dividiram em grupos para discutir o Documento de Área e os indicadores para programas acadêmicos e profissionais, a partir dos relatórios dos GTs e de proposta enviada à SBPC. Nesse sentido, o encontro parte dos debates acumulados do I Seminário de Avaliação, realizado pela ANPEd e FORPREd em 2017 em Fortaleza (CE). Agora em Belo Horizonte os quatro grupos de trabalho - financiamento, internacionalização, inserção social e produção acadêmica - aprofundaram as análises e apresentaram durante à tarde ao coordenador de área, gerando acalorados debates. O documento será agora enviado à lista do FORPREd Nacional para que todos os programas tomem conhecimento e deem contribuições e, posteriormente, seja entregue formalmente ao coordenador de área como proposta final da ANPEd e FOPREd a partir destes quatro eixos estruturantes. Por fim, Verhine levará à CAPES as propostas em vista de mudanças no processo de avaliação.

Workshop para programas 3 e 4

No último dia de atividades, quarta (19), foi promovido o Workshop “Estratégias para o Fortalecimento dos Programas 3 e 4 em Educação”, ministrado por João Batista Carvalho Nunes (UECE) e Maria de Fátima Cardoso Gomes (UFMG), coordenador e vice-coordenadora, respectivamente, do FORPREd Nacional.

"Esse momento voltado pra programas 3 e 4 tem como intenção a de ajudar esses programas a refletirem sobre possíveis estratégias que os ajudem a se consolidarem - e com isso ter a possibilidade de um programa 3 ir pra 4, um programa 4 ir pra 5", conta João Batista Nunes (UECE), coordenador nacional do FORPREd. As estratégias, assim, passam por um estímulo de planejamento de ações, produção acadêmica e práticas para formação de professores tanto de educação superior quanto de educação básica.

Como afirmaram participantes e coordenadores, o II Seminário "O Sistema de Avaliação da Pós-Graduação Brasileira" correu de forma produtiva e cordial ao longo de três dias de evento."Para nós da ANPEd é importantíssimo que nós estejamos juntos. A ANPEd é exatamente essa junção de sócios institucionais e individuais num espaço de resistência. E creio que esse segundo evento de avaliação é uma forma de estabelecer um diálogo entre todos os atores sociais do campo da educação e também uma maneira de encaminhar propostas que sejam inovadoras, respeitosas, que trabalhem com o diálogo", afirma Mário Azevedo (UEM), diretor financeiro da ANPEd. Robert Verhine disse ao final que o seminário propiciou a oportunidade de expressar suas ideias, ter feedback e ouvir as ideias de outras pessoas. "Ideias bem pertinentes. Eu estou muito feliz dessa reunião ter acontecido ainda em 2018, com o quadriênio se iniciando, porque isso vai me ajudar muito a desenvolver meu trabalho até o final do período. Então foi uma reunião muito importante e também muito agradável."

Slides de apresentações

* Mesa 1

Robert Verhine (Capes)

Joviles Trevisol (Foprop) Parte 1 / Parte 2

Eduardo Mortimer (SBPC)

*Mesa 2

Daniela Calderon (Chile)

Jose_Bizelli (Fepae)

*Mesa 3

Robert Verhine (Capes)

 

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