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A autonomia da pedagogia só é possível com a autonomia daqueles que fazem a escola
Além dessa, outras questões marcaram o debate, como a educação que forma consumidores e educação como o principal instrumento da democracia de um país - Por Ana Teresa Gotardo

O debate temático intitulado Gestão Democrática contou com a presença de Licínio Lima, de Portugal, Jean-Marc Nollet, da Bélgica, e Arnoldo Vaquerano, de El Salvador. A mesa foi coordenada por Manoel José Porto Junior, do Brasil.

Jean Marc Nollet iniciou sua exposição dizendo que a atual educação não forma cidadãos, não é uma educação global, mas sim, forma consumidores doutrinados para o mercado em função de uma ideologia: doutrina-se, mas não se emancipa, o que leva a concluir que a educação não está à serviço da democracia. Para uma educação democrática, ele propõe um acesso democrático, mas não apenas o acesso; deve-se ter a preocupação em manter as crianças na escola, respeitá-las como seres diferentes e torná-las cidadãs, formando massas heterogêneas. Ele encerra defendendo que o saber é patrimônio universal e deve ser socializado; o Estado é essencial para garantir o acesso de todos à educação, mas a uma educação que acolha e emancipe para a justiça e paz, não para o mercado.

Licínio Lima colocou a questão da pedagogização dos problemas, ou seja, ver a educação como causa e solução de problemas; como resposta, disse que a educação, por si só, não tem força para mudar tudo. Disse que há um esforço para despolitizar e mercantilizar o ensino e, para tanto, colocam-se os problemas como sendo de gestão escolar. Apesar de existirem esses problemas, o debatedor diz que a real intenção é uma gestão empresarial para a escola, num modelo de educação contábil, fácil de medir e comparar para que se aumente a competitividade entre as escolas. Para resolver esse problema, ele propõe uma escola que tenha Estado, professores e comunidade em co-autoria para um auto-governo. Encerra dizendo que a autonomia da pedagogia só é possível com a autonomia daqueles que fazem a escola.

O último debatedor, Arnoldo Vaquerano, disse que ainda há formas de escravidão, embora mais sofisticadas, por parte dos grandes organismos internacionais. As políticas neoliberais estão privatizando tudo e deixando a população sem nada. Por isso, a Educação deve servir à soberania dos povos. E os professores têm grande responsabilidade, pois estão em contato com crianças, adolescentes e adultos e podem fazê-los compreender a realidade de seu país, questioná-la. A educação, segundo o palestrante, deve ser o principal instrumento na democracia de um país, pois apenas verdadeiros cidadãos podem compreender e mudar estruturas políticas, já que muitos governos se dizem democráticos e não o são. Vaquerano encerrou dizendo que o governo Lula é um exemplo de gestão democrática para o continente americano.