Manifesto da ANPEd e do FORPREd de repúdio à ação da Polícia Federal na UFMG

A Diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e a Coordenação Nacional do Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação (FORPREd) vêm a público repudiar a ação arbitrária e abusiva da Polícia Federal contra a comunidade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nenhuma denúncia justifica condenação prévia e execração pública de qualquer servidor público. O desrespeito aos dirigentes universitários é o desrespeito ao conjunto da comunidade científica da UFMG e do Brasil. Reafirmamos o princípio constitucional da autonomia universitária, o compromisso com a qualidade da pesquisa, extensão e ensino que a UFMG desenvolve no sistema de ensino superior brasileiro e a necessidade de cumprimento das regras democráticas e republicanas para manter o permanente diálogo entre Universidade e sociedade  

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2017.

Andréa Barbosa Gouveia

presidente da ANPEd

João Batista Carvalho Nunes

coordenador do FORPREd Nacional

Maria de Fátima Cardoso Gomes

vice-coordenadora do FORPREd Nacional

A ANPEd já havia se manifestado por meio de nota do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE) sobre o caso no dia 06 de dezembro.

NOTA DE REPÚDIO À OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL NA UFMG

Um ataque à Universidade Pública e a tudo que ela representa

Na manhã desta quarta (06/12) a Polícia Federal promoveu mais uma ação midiática, desproporcional, arbitrária e de ostentação ao usar de prerrogativas legais para promover perseguições, agora, contra dirigentes e ex-dirigentes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mais uma vez dirigentes universitários são conduzidos coercitivamente, em procedimento que, de maneira geral e absolutamente preocupante, vem se tornando banal, ostensivo e ofensivo, atentando contra o amplo direito de defesa e a dignidade de pessoas. Tais dirigentes, por certo, estariam à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, por serem pessoas públicas e com endereço conhecido. A medida reforça nosso repúdio à forma como pessoas vem sendo tratadas em nosso país por autoridades policiais e do judiciário, com achincalhamento público prévio.

A ação é mais uma medida que atenta contra a democracia, contra as conquistas sociais e contra a Universidade Pública e seu papel emancipatório e estratégico para a soberania e o desenvolvimento nacional, notadamente por voltar-se a projeto da Universidade Pública, que conta com inúmeras parcerias: o Memorial da Anistia Política do Brasil, que visa resgatar a memória e a verdade histórica subjacente à Ditadura Militar no país.

O trágico caso do Reitor Cancellier, e o pedido de investigação de abuso de autoridade, parece não constranger ações pirotécnicas, seletivas e desproporcionais que objetivam manchar reputações, atacar professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, estudantes, servidores e servidoras e promover o desmonte da Educação Superior Pública, laica, gratuita, inclusiva e em defesa da Democracia.

A defesa da instituição é um compromisso ético de todos e todas e, por essa razão, manifestamos nossa indignação e reivindicamos o imediato esclarecimento da ação e a responsabilização pelas arbitrariedades e humilhações.

Fórum Nacional Popular de Educação 

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